Morte: um fim ou uma mudança?

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Caros amigos,

Há oito dias atrás, tirei o fim de semana para passear e aproveitar um voucher que nos foi oferecido num lugar onde a natureza é a principal imagem. Na chegada, a noite estava chuvosa e fria e tudo o que desejáva-mos era desfrutar de um quarto bem quentinho. Contudo, não foi possível ficarmos instalados no quarto referido no voucher, (um lindo quarto em cima de uma árvore!) e, lá tivemos que lidar com a impermanência…

Se estivermos bem atentos e formos praticantes assíduos de meditação começamos a aperceber-nos dos muitos truques da nossa mente que gosta tanto de projetar e criar expectativas. Se a nossa mente estiver preparada e treinada para lidar com a impermanência e com as mudanças que ela nos impõe podemos viver com muito menos sofrimento e podemos ser muito mais felizes. Perante aquela situação, a minha mente começou a gerar diferentes emoções… a impossibilidade de ficar naquele quarto, (como eu esperava!) trouxe-me desapontamento e zanga que, num primeiro momento, direcionei logo aos responsáveis do hotel.

Contudo, porque não escolher manter-me calma para desfrutar de um outro quarto (que, por sinal estava tão, tão quentinho) e da nova situação que se impôs? Assim, no dia seguinte, os responsáveis corrigiram a situação, oferecendo-nos um novo voucher para passar outra noite no referido quarto e também uma massagem de relaxamento para o casal. :)) Eu sorri internamente e pensei: não há nada como não resistir às mudanças porque, afinal, se estivermos bem abertos podemos receber coisas muito boas, ainda que, a maioria das vezes, sintamos medo apenas por não sabermos o que essa mudança irá implicar. Se soubermos lidar com a impermanência a nossa mente abre-se à ideia de que nada é fixo ou sólido e que tudo está em constante mudança. Deixamos de pensar que as coisas têm que ser de uma determinada maneira, deixamos de pensar que são infinitas, porque elas afinal não acabam… apenas mudam… e podemos libertar-nos!

Hoje, terminado o retiro “Morte sem medo” com Tulku Lobsang pude perceber que, em relação à morte, que é tão receada por acharmos que representa um fim, o seu significado é apenas representar um processo de grande mudança…

E, qual será o nosso maior medo neste processo? O medo de que tudo acabe? ou o medo de haver uma grande mudança?

Vivemos numa existência condicionada, ou seja, estamos sujeitos a diferentes causas e condições e tudo aquilo que é condicionado significa que é impermanente, tudo terá um fim e, tudo aquilo que tem um fim traz-nos sofrimento. Esta vida condicionada é como se fosse uma “bola de sabão suja” que de repente desaparece! Não importa se somos ricos ou não, se somos poderosos ou não, se somos crentes ou não, boas pessoas ou não porque a todos chegará o momento de lidar com a morte, ninguém está livre de passar por isto… e, se trabalharmos a mente para lidar com o apego ou com a impermanência, se treinarmos a mente para gerarmos compaixão e amor, se praticarmos a nossa consciência, o momento da morte tornar-se-á num momento sagrado porque tornar-se-á num lindo veículo, “o melhor foguete para voltarmos a casa”! Essa vivência poderá levar-nos para a nossa verdadeira natureza ou a existência incondicional e poderemos libertar-nos desta existência condicionada. Assim, em vez de perdermos algo, significa antes que nos podemos libertar! Não há nada a perder e nada acaba…
apenas muda!

“Morte não significa um fim mas significa uma mudança” e “a morte não é uma forma de perdermos mas uma forma de nos libertarmos”! (Tulku Lobsang)

Ainda vamos a tempo de começar a praticar, de mudarmos os nossos registos mentais…

Lembrem-se: tudo um dia irá mudar. Nada é fixo. Tudo é impermanente. Se praticarmos isto no dia a dia, poderemos ter muito menos dor e sofrimento, não só no momento da nossa morte física mas, sempre que ocorrem outras “pequenas mortes” na nossa vida.

Pratiquem o Amor e a Compaixão porque estas sim, têm as qualidades de nos trazerem Felicidade, proporcionam-nos uma existência eterna e podem-nos libertar!

Próximos Eventos:

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Um abraço, até breve,

Joana Rainha

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