Corpo, um veículo precioso! (Parte 2)

Slide1

Caros amigos,

As minhas experiências dos últimos dias têm-me chamado, novamente, a atenção para o corpo. Fui obrigada a confrontar-me, desta vez, com a vertente sofrimento do corpo físico e sofrimento humano. Já há muito tempo que não ia a um hospital e, isso faz-me esquecer, por vezes, que essa realidade existe. Ao acompanhar a minha mãe, que teve uma lesão, fiquei chocada com o número sempre crescente de pessoas a chegar com dores físicas e foquei, novamente, para a importância do nosso corpo.

Sabem aquelas alturas em que ficamos sem carro porque vai para oficina? Ou que nos esquecemos do telemóvel em casa e já parece que nos sentimos “despidos”? Diria que ninguém deixa de sentir a falta destes dois objetos (estou a partir do princípio ou falo, obviamente, para aqueles que têm carro e telemóvel!)… Apesar do nosso corpo ser o nosso “ferrari” :), o nosso grande veículo para nos transformarmos, nós esquecemos-nos muitas vezes que o temos… e que, precisamos tanto dele!
Só quando nos lesionamos ou ficamos impedidos de determinadas acções ou mesmo, quando o corpo está a doer é que nos lembramos que ele é o nosso ” grande carro”!

Ao lidar com a minha mãe, percebi como a nossa mente nos leva constantemente a não lidar com o momento presente. Ao invés de lidarmos com a dor e aceitar o que nos está a acontecer, ficamos no passado (“não devia ter feito isto… porque me fez cair e lesionar…”) ou no futuro (“e agora como vou fazer para…?”) e, ficamos com dificuldade em nos tornarmos vulneráveis, a ter que aceitar que temos que pedir ajuda, que precisamos de estar dependentes de alguma forma da ajuda dos outros… A nossa mente gera emoções negativas como o medo e a raiva pelo que aconteceu e pelo que ainda está para vir!! Talvez nestas alturas seja este o ensinamento, aceitar a dor, parar, confiar nos cuidados de quem nos atende, entregarmo-nos completamente à situação, rendermos-nos. Aceitar o que está a acontecer ajuda-nos a dar os passos seguintes e a mente gera menos emoções negativas.

A grande aprendizagem foi que, quanto menos luto, quanto mais aceito o que acontece a cada segundo e, a partir daí analiso as opções que tenho sem pensar no passado e no que já foi ou sem dizer “e se…?” mais calma e serena me sinto, as coisas acabam por fluir de forma harmoniosa e acabo por atrair menos problemas. Não vamos confundir aceitar com ficar conformado… há uma energia que brota em mim, de me sentir viva mas, ao mesmo tempo, fico mais calma… eu diria antes ficar resignada, desistir de lutar com a contrariedade e aceitar o que está a acontecer. É como ter que parar num sinal vermelho quando estamos cheios de pressa e ficamos nervosos, chateados, a resmungar com o sinal vermelho e, às vezes, ele ser o nosso “amigo” que evita um acidente ou que simplesmente nos faz andar no tempo certo…

Também pude perceber as diferenças em mim no meu estar nesta situação que envolve os hospitais! Era um problema para mim chegar à entrada de um hospital… sensação de desmaio, mãos suadas, enfim sentia-me incapaz de lidar com isso… e, sem ser no hospital, ficava mal disposta se ouvia uma conversa a falarem de doenças, acidentes etc… Uso a respiração e faço algumas visualizações e consigo manter-me presente e mais! consigo depois sentir-me bem, serena e completamente capaz de lidar com a situação de uma forma calma. Mas que grande diferença!! E, que gratidão eu senti pelas práticas e também por mim mesma, pela minha persistência e fé em me disciplinar para as fazer e que as práticas me iriam trazer esta serenidade!!

Às vezes perguntam-me: “eu quero mudar mas, não sei como!” e, para cada um acredito que haja caminhos diferentes… para mim, todos os anos em terapia individual, todos os workshops em que participei, todas as formações que fiz, todo o tempo e investimento de que dispus, a vontade de me tornar mais saudável e feliz que implicou muitas lágrimas derramadas, a vivência de dores que nem imaginava, tudo isto posso hoje dizer: valeu a pena e faria TUDO de novo!

Agora, tenho que lembrar: é necessário continuar! Continuar a praticar! Continuar a respeitar e a amar este corpo que me permite tanta coisa e saber usá-lo da melhor forma enquanto há tempo… sim, porque também esquecemos que ele tem um prazo de validade!! Às vezes, pelo facto de ser praticante assídua caio no erro de pensar que sempre estarei bem, que a doença ou o sofrimento já não faz parte da minha realidade e isto, foi outro grande ensinamento desta semana: não é pelo facto de fazer práticas, de meditar que este corpo um dia deixa de ser meu e acaba… e, o sofrimento, é algo comum a todos talvez a grande diferença seja como aprender a lidar com ele e aí, há que nos tornarmos pessoas mais sábias…

Não há tempo a perder… invistam em vocês, invistam na vossa felicidade! Está na hora de deixar de investir no sofrimento… e aproveitem bem o vosso “ferrari” porque, há um dia, em que o gasóleo acaba para todos, nisso, somos todos iguais…

Um grande abraço, até breve,

Joana Rainha

Próximas Atividades:

Slide1

11223310_10201130544583927_1744845992527279510_n

JR_LOGOFINAL

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s