Newsletter Agosto: “Férias, que tal um shot de chocolate?”

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Caros amigos,

Durante a minha infância, na casa dos meus pais, havia um armário na sala onde era guardado o chocolate. Curiosamente, a minha mãe nunca necessitou de mudar de lugar ou esconder, chocolates, bolachas ou outras tentações que as crianças normalmente apreciam… Eu, realmente adorava chocolate (e adoro!!) e tinha o hábito de comer dois quadrados de chocolate ao fim de cada refeição… não sei como mas, concerteza movida pela meu forte carácter obediente (ou melhor! vejo hoje, que era um carácter rebelde que conseguiu ser domado pelo medo de perder o amor e se tornou “obediente forçado” eheheh) eu conseguia reduzir a coisa a apenas dois quadrados!! Hoje, em adulta, já fui capaz de devorar tabletes de chocolate porque perdi o “controlador” interno… Muitas vezes, quando nos tornamos adultos vamos tentando compensar aquilo que sentimos em criança… aquilo que, de alguma forma, sentimos que não nos foi ou era permitido.

Na verdade, vamos desenvolvendo pequenas/grandes necessidades e carências… Mas, nem sempre ter vontade de comer um pedaço de chocolate é necessariamente uma carência! Temos que apenas estar atentos e sentir se, quando nos apetece comer o chocolate é porque quero realmente comer o chocolate ou porque preciso de comer o chocolate. Quem diz chocolate diz outra coisa qualquer: o cigarrinho, o café, e tantos outros pequenos prazeres.

É o nosso estado mental que vai decidir se todas estas coisas se tornam o nosso prazer ou a nossa tortura! Somos nós que decidimos se queremos que a nossa mente nos abra os portões do céu ou os portões do inferno… Se tivermos apego, concerteza iremos estar a comer o chocolate e, em vez de o saborear já estaremos a pensar “daqui a nada vai acabar…”
Como comecei as minhas férias a comer este pequeno shot de chocolate, levantei a mim própria a mesma questão em relação às férias…

Porque necessitamos tanto do período de férias? Como estamos a viver o nosso dia-a-dia? Estaremos a “saborear” cada momento com toda a intensidade?

Vamos refletir um pouco… com quase todas as pessoas com quem falo a conversa é sempre a mesma… trabalhar, trabalhar, trabalhar, fazer todos os sacrifícios durante 350 dias do anos para conseguir ter os 15 dias restantes de férias… Então, andamos a poupar o que conseguimos, a privar-nos de muitas outras coisas para termos aquelas férias “WOW”! A projetar qual o melhor destino, a tentar que seja o destino com melhor cotação ou o mais badalado para não nos sentirmos inferiores em relação às férias do vizinho ou do melhor amigo… Mas, tudo isto é (para além da estupidez humana!) uma grande ilusão!! Se a nossa mente estiver a levar-nos para o lado da carência o resultado é que, durante aqueles 15 dias de férias tão desejados, eu realmente só consegui aproveitar um pouco 7 dias, já que a primeira semana é para tentar desligar do trabalho e mudar a frequência do meu ritmo! E, os restantes 7 dias, podem ser de loucura, a tentar fazer aquelas compras especiais de férias, tentar aproveitar ao máximo mas, na verdade, já nos sentimos tristes, vazios e deprimidos porque “daqui a nada as férias vão acabar” ou “como é que vai ser agora voltar à realidade!!” Então, nós tentamos realmente criar outra realidade!!! Criamos mais uma ilusão… um mundo fantasioso em que tudo se torna fantástico em meia dúzia de dias: como tudo o que me apetece, compro tudo o que me apetece, só faço aquelas coisas que são consideradas boas: ir à praia, estar com a família, compras etc, etc, etc… Garanto-vos que, se a vossa mente não estiver treinada é isto que acontece, muitos se devem estar a rever nesta pequena historinha…

Acontece que nas férias, parece que criamos ou damos possibilidade à nossa mente de ter uma espécie de “estado ou espaço vazio” em que nos permitimos ser mais espontâneos, ficamos mais soltos, rimos mais, encontramos mais prazer em tudo e sentido-nos mais livres! Curiosamente, descobri que a etimologia da palavra “férias” tem origem no latim “feriae” e que a palavra que deriva do inglês “vacation” por sua vez deriva de “vacare” (=vazio, livre). Duas palavras em português, uma comum e outra incomum, também derivam indiretamente de vacare: vácuo (espaço vazio) e vacuidade (=qualidade ou estado de vazio, ausência ou falta). Pois, vacuidade é dos temas mais complexos do Budismo… 🙂 mas, este tema já não será para hoje!!

Então, talvez fosse mais inteligente se começássemos a treinar a nossa mente para o lado da abundância e, quanto a mim, abundância não é ter as melhores férias, no melhor lugar do mundo ou com as melhores compras mas sim, ter o melhor dia-a-dia…

Estar realmente a SER, expressando no trabalho aquilo que somos, fazendo o que realmente gostamos, acordando todos os dias e saindo da cama a sentir “Que bom, estou vivo e posso viver intensamente mais um dia!”

Viver intensamente cada momento, aproveitando, observando e agradecendo cada nascer do sol, cada momento que temos, cada oportunidade que se coloca… Realmente ficarmos em imensa Gratidão com tudo o que temos e não, focando no que não temos…

Para isto, é necessária muita meditação, muita prática… para que possamos estar em qualquer lugar, em qualquer condição e nos sentirmos as pessoas mais livres e felizes do universo…

E, em imensa gratidão, vou saborear cada shot de chocolate que me permitir receber da Vida…

O Estúdio reabre em Setembro! Quem sabe, com mais novidades, surpresas ou mudanças!

Até lá, divirtam-se!! (de verdade)
Um abraço e até breve!

Joana Rainha

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