Novo artigo: Ritos de passagem [parte 1]

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Caros amigos/as,

Todos os dias da nossa vida devem ser vistos e vividos como importantes e especiais. Como seres humanos e, sujeitos à impermanência de todos os fenómenos, estamos em constante mudança e crescimento. Contudo, há fases ou momentos da nossa vida que ficam gravados na nossa memória: são factos ou experiências que nos fazem sentir diferentes emoções porque, quando sentimos emoções, sejam de que natureza forem, sentimo-nos mais vivos! Habitualmente, esses momentos marcantes, são momentos de luto, ou momentos de celebração…

Muitas vezes, enquanto crianças, quando sentimos falta de amor, atenção e desprezo, provocamos o adulto ao ponto de nos dar uma palmada porque, a dor de recebermos a palmada é menor do que a dor que sentimos internamente por não sermos olhados ou porque, dessa maneira sabemos que, de alguma forma, existimos para o adulto… É um dos casos em que, ainda conseguimos resistir à apatia e ter um vislumbre da nossa energia original, porque ainda há uma acção mas, parece também que é uma forma de nos lembrarmos que existimos e estamos vivos só que, através da dor. Não nos é ensinado a sentirmo-nos vivos pela ou através da alegria e do prazer…
Parece que, são mais facilmente recordáveis aqueles momentos que nos trouxeram dor do que os que nos trouxeram alegrias e, por quê? Porque, apesar da nossa natureza ser amor e felicidade incondicional parece que há um grande imprint de que viemos ao mundo para sofrer e não para sermos felizes. A história está carregada de factos que nos fazem acreditar que todos temos que ter uma cruz para carregar e que ninguém está neste mundo para viver o amor e a felicidade…
Assim, enquanto adultos, repetimos o padrão… desenvolvemos relações em que tentamos colmatar a falta e as carências que já vêm lá de trás, da nossa infância e, entramos no modo apatia diária, piloto automático, de sobrevivência, do acorda, levanta a correr, leva os filhos à escola, vai trabalhar para conseguir pagar as contas, faz por obrigação, obedece ao patrão ou exige aos funcionários, come porque tem que comer, dorme porque está cansado ou já não consegue dormir porque o cansaço é tanto que já não sabe como é relaxar, ouve a esposa/companheira a queixar-se do tempo que nunca chega para a família, vai ao médico porque o corpo começa a dizer: não consigo respirar, tenho ataques de pânico, tenho uma forte dor no peito, estou depressivo, não consigo aguentar este sofrimento senhor doutor e leva os comprimidos milagrosos que o mantêm nesse sono completamente ilusório e inútil, volta esperançoso pensando: a vida vai melhorar mas!… A única coisa que melhora é que desceu mais uns andares nesse poço sem fundo, onde não há luz, onde não há vida e, onde é impossível encontrar felicidade… Já não sabe quem é e, tem que estar dopado… só que, fica dopado para a dor mas, também para toda a alegria, felicidade ou êxtase!

Se estivermos atentos e plenamente presentes, pequenos momentos da nossa vida, podem ser a representação desses grandes momentos que nos marcam porque, seja qual for a experiência, é nossa escolha de como vamos vivencia-la. É como a célebre frase de que há sempre o lado bom e o lado mau em tudo. Eu acredito que não é bem isso mas, que a grande diferença é que pode haver uma mente treinada capaz de transformar qualquer emoção negativa em amor e compaixão e ser portão para o céu ou, uma mente completamente disfuncional que se mantém nas emoções negativas e que nos abre o portão para o inferno.

Se, em cada momento de luto, dermos espaço para deixar o que de novo está a nascer, podemos passar do inferno ao céu rapidamente…
Se soubermos deixar o que está a morrer, se nos libertarmos daquilo que é para ir, então há um espaço que fica vazio ou livre onde algo novo pode surgir e entrar! (um emprego, uma nova relação, uma nova casa ou o reconhecimento de uma nova parte nossa…). Tudo depende de como funciona a nossa mente e da nossa vontade em treiná-la, por exemplo, através da meditação (…)

(Parte 2 deste artigo continua em breve! Fica atento/a)

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